IDH 2014: melhorou e piorou

Por um lado, o Índice de Desenvolvimento Humano no Brasil melhorou, entre julho/2014 e junho/2015. Por outro, piorou.

Você sabe o que é IDH? Entenda:

Foi divulgado, hoje (14/12/2015), o novo IDH, indicador calculado anualmente pela ONU, apontando para o bem-estar da população de 188 países. Ele é medido a partir de quatro indicadores: esperança de vida ao nascer; expectativa de anos de estudo e média de anos de estudo; renda nacional bruta per capita.

Em 2013, o Brasil ocupava a 74ª posição no ranking de 2013 e caiu para a 75ª, em 2014, embora o IDH tenha passado de 0,752, em 2013, para 0,755, em 2014. A queda se explica pelo ritmo mais rápido de crescimento obtido pelo Sri Lanka, que ultrapassou o Brasil.

O Brasil foi apontado como o país que teve o maior crescimento de IDH da América do Sul, entre 1990 e 2014 e teve dez referências no relatório devido aos programas de transferência de renda para os mais pobres, como o Bolsa Família, que recebeu três das dez referências. Andrea Bolzon, coordenadora do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) Nacional, destacou a importância desses programas sociais para proteger os mais pobres do impacto da crise.  Crise que, segundo ela, poderá vir a impactar negativamente os próximos IDH do Brasil apenas se for duradoura, já que o índice capta mudanças a longo prazo.

Se, por um lado o Relatório aponta aspectos positivos quanto ao Brasil, por outro lado vemos o país classificado atrás de outros países latino americanos, como Argentina (40°), Chile (42°), Uruguai (52°), Cuba (67°) e Venezuela (71°) e bastante distante dos primeiros colocados no Ranking: Noruega, Austrália e Suíça.

Segundo artigo na BBC,

Em 2014, a queda na renda reduziu o ritmo de crescimento do IDH. Após anos consecutivos de alta, a renda média do brasileiro teve uma queda de 0,74% na comparação com 2013, passando de US$ 15.288 para US$ 15.175

É bem provável que a redução de 10 bilhões de reais no repasse para o Bolsa Família, no Orçamento de 2016, proposta pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR), relator do Orçamento, venha a causar impacto negativo nos próximos IDH, já que a estimativa é de que cerca de 23 milhões de pessoas deixem o Bolsa Família e 8 milhões delas voltem à pobreza extrema.

Segundo Bolzon,

Se vocês olharem o relatório, há um bloco de países que estão todos nessa zona do 0,75 – 0,751; 0,752; 0,753… Então, pode ser que uns passem os outros, que (num ano) o Brasil suba no ranking, (no outro) o Brasil desça no ranking, mas significado profundo não há. Na verdade, é um bloco de países, está todo mundo muito perto.

A ONU ressalta que, embora o Brasil faça parte do bloco de países com alto desenvolvimento, existe grande desigualdade social no país, fazendo com que haja grande variação de níveis de desenvolvimento humano dentro dele.

Muito mais que nos atermos aos índices, que são valiosos para provocar discussão quanto aos parâmetros avaliados e gerar propostas de ação, é importante que saibamos que temos a realidade de grande desigualdade social a superar, na prática! E que cada um de nós se comprometa com isso, através de sua própria atuação, através de seu voto e da fiscalização do que acontece no Brasil.

Leia mais em BBC Brasil e Isto É Independente.

 

 

 

 

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