Tentativas e erros, até acertar

Acabei de jogar fora todo o material que estava compostando… =(

Não, não estou desistindo de fazer compostagem. Trabalhar com coisas desse tipo, que conduzem à produção de alimentos orgânicos, pressupõe grande parte de erros, antes de obter acertos. Tanto mais quando a pessoa tentante é nascida na capital e nunca, nunca mexeu com nada parecido com terra na vida…

Bem, o que houve? Estava tudo indo muito bem, enquanto a compostagem estava sendo feita em pequenos potes, bem tampados. Por serem pequenos, comprei dois baldes grandes de uma catadora de lixo que passou aqui na frente. Há uns dez dias, fiz a substituição, esforçando-me para lacrar bem o balde grande…

Acontece que a compostagem precisa ser feita em baldes ou caixas separadoras bem lacradas, devido aos insetos, ratos e baratas. Por falta de recursos, não consegui comprar os materiais adequados e, certa de que preciso começar com o que tenho ou nunca farei nada, comecei com os potes e baldes que mencionei.

A vedação que fiz funcionou bem nos primeiros cinco dias, em que não houve ratos, baratas ou larvas de insetos por perto. Quando abri o balde, estava ótimo o material. Acrescentei o resíduo orgânico que tinha ajuntado, tanto o verde, como o marrom, mexi e lacrei novamente.

Hoje, repeti o mesmo processo, e ressalto que não tive problemas com ratos, baratas e nem com odor ruim, mas, infelizmente, havia incontáveis ovos e larvas de mosca-de-fruta na compostagem toda, por toda parte. Decidi jogar tudo fora. Há artigos que dizem que as larvas podem fazer parte da compostagem, mas, não tenho condições de manusear o material compostado se ele está cheio de larvas… E há muito mais artigos que ensinam que é possível evitar que as moscas apareçam e se reproduzam na compostagem.

Identifiquei algumas possibilidades de erro:

  1. Tenho mesmo que ter recursos para comprar os recipientes certos para a compostagem, cuja vedação será mais eficaz do que a que improvisei.
  2. Preciso cuidar que o resíduo orgânico que vou acrescentar esteja livre de contaminação, pois, se houver um fruto bichado, por exemplo, ele já leva as larvas de mosca-da-fruta dentro dele e vai contaminar todo o material.
  3. Preciso ter recursos para comprar óleo de citronella e sementes de arruda, pois são repelentes naturais para as moscas.
  4. É preciso respeitar rigorosamente o equilíbrio entre os resíduos orgânicos verdes (cascas de vegetais e frutas, não cozidos ou temperados) e os marrons (borra de café, galhos e folhas ou grama secos, papelão, serragem). E a proporção deve ser de 1 porção de verdes para 2 porções de marrons. Não tenho condições de garantir esse equilíbrio hoje, pois tenho muitos resíduos verdes e poucos marrons.

    IMG_7067
    Tentativas e erros, até acertar.

Vou seguir plantando uma horta orgânica na claraboia, sempre que conseguir terra, e mesmo sem adubo. Voltarei a fazer compostagem apenas quando reunir condições e recursos para corrigir estes possíveis erros.

Vale a pena e é possível fazer compostagem doméstica. Estou certa disso. Ainda estou certa de que preciso começar com o que tenho ou nunca farei nada. Foi gratificante acompanhar o processo de compostagem, que estava dando muito certo! Adquiri experiência valiosa com esta tentativa.

Recuso-me a crer que Deus só dá asas para quem não sabe voar. Vou continuar aprendendo com a leitura e a prática que for possível. Estou aprendendo a voar e, se os recursos são as asas que não tenho, elevo os meus olhos para os montes e vejo: interessa ao Reino de Deus que a eco-agricultura funcione na Terra, aproximando-a da Origem. Assim, ativo, pela fé, uma importante parceria: Terra, produza os recursos de que necessito para fazer minha tão pequena parte!!! Parte essa que, aliás, eu não só posso, mas, vou fazer!

Jackeline Sarah
Produtora de Conteúdo
© Todos os direitos reservados. Permitida e incentivada a reprodução do artigo, desde que citada a fonte.
Advertisements

Mesmo sonho, um mesmo futuro

10501872_743701205692462_8419327284594565449_n

Eu me sinto responsável por todo ser humano, cada um deles. Não diretamente, como se eu pudesse sustentá-los ou cuidar de cada um, nem juridicamente, como se tivesse que responder pelas suas escolhas. Mas, como humanidade, como povo, como quem procede de um mesmo sonho e uma mesma vontade de Deus. Não importa se os considero bons ou se os considero maus, minha esperança é que todos os seres humanos possam entender sua essência e voltar a ser, cada um deles, o que o Pai sonhou que seriam.

No hiato em que vivemos, tudo está distorcido e, de tal forma, que até quem deveria ser a esperança da humanidade e da Terra encontra-se movido pelo ódio, pela sede de vingança, pela revolta em face do sofrimento. Há tanta dor na Terra que, queiramos ou não, estamos todos envolvidos nela. Contudo, estou convicta de que tudo isso passará e veremos Justiça, paz e alegria andando em nossas ruas. A restauração de todas as coisas é uma certeza que me move na direção de contribuir para que possa haver vida digna e um futuro melhor para todos, desde já e até que seja plena.

Jackeline Sarah

© Todos os direitos reservados. Permitida e incentivada a reprodução do artigo, desde que citada a fonte.

Imagem: ©Jackeline Sarah