Microcefalia: Zika vírus ou vacina vencida?

A pedido da leitora Carla Galhardi, de Pitangueiras/SP, e por perceber que inúmeras pessoas estão compartilhando, nas Redes Sociais, as postagens que relacionam a suposta “aplicação de um lote de vacina vencida contra Rubéola em mulheres grávidas do Nordeste” ao aumento dos casos de Microcefalia, lemos e ouvimos material sobre o assunto e queremos incentivar nossos leitores a fazerem o mesmo. Falta de conhecimento e indiferença tornam-se fortes agravantes em uma situação que já é preocupante por si mesma. Citamos aqui algumas fontes, que não esgotam o assunto e nem devem limitar a pesquisa dos leitores. Apenas fiquem atentos em verificar se suas fontes são oficiais e, portanto, confiáveis.

Boato

As postagens como esta, que culpam o Governo por encobrir a suposta relação entre as vacinas vencidas contra Rubéola e a Microcefalia, já foram desmascaradas há vários dias. Possuem todos os elementos para serem consideradas boatos: relatam fatos absurdos, contados a partir de um assunto em alta no momento, com acusações sérias e dados totalmente genéricos, inconsistentes e com apresentação de nenhuma fonte para comprová-los: nenhum depoimento, nenhuma foto de evento, nenhum vídeo de especialistas, nenhuma citação literária, nenhum nome de autor que possa ser consultado. São mesmo boatos irresponsáveis! Você pode se certificar de que são boatos no Jornal Extra e no  e-farsas.

Segundo o Verdade Absoluta:

O boato sobre a vacina vencida de rubéola é criado em cima de uma falsa certeza, uma acusação imaginária e duvidas comuns. O caso tem se espalhado de forma tão forte que o Ministério da saúde já se pronunciou sobre o assunto desmentindo tudo.

Em Nota de Esclarecimento, o Ministério da Saúde afirma:

(…) que todas as vacinas ofertadas pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) são seguras e não há nenhuma evidência na literatura nacional e internacional de que possam causar microcefalia.

Confiram a íntegra da Nota.

Como ressalta matéria na Época, em nosso país:

As mulheres grávidas não são vacinadas contra a rubéola. O calendário nacional de vacinação prevê que essa imunização deve ser aplicada aos 15 meses de vida. É possível tomar essa vacina em outros momentos da vida, mas nunca durante a gestação. A vacina contra a rubéola é especialmente indicada para mulheres em idade fértil – entre 15 e 29 anos – para evitar a contaminação de rubéola durante a gravidez. As mulheres grávidas que não foram vacinadas antes da gestação devem receber a vacina somente após o parto.

Lendo a matéria, facilmente percebemos que há muitas evidências de que as postagens não passam de boatos irresponsáveis e que podem causar danos à saúde pública no país. Sugerimos que os leitores excluam os compartilhamentos que fizeram da falsa notícia!

Segundo artigo no Terra,

Gravações de voz compartilhadas nas mídias sociais também atribuem a especialistas a informação de que o vírus zika não deixa sequelas apenas em bebês, mas também em crianças menores de sete anos de idade e idosos. Especialistas da Fundação Oswaldo Cruz e do Ministério da Saúde negam a veracidade da informação e dizem que reações neurológicas decorrentes do zika são raras e muitos sintomas são reversíveis.

No mesmo espírito, espalharam-se áudios por serviços de mensagem, afirmando que pesquisadores da Fiocruz haviam confirmado cientificamente a relação entre o Zika vírus e o aumento dos casos de Microcefalia. A Fundação emitiu Nota, desmentindo o boato. Leia a nota e perceba que o que está sendo desmentido é a confirmação científica da relação e não que haja evidências que levaram a investigações. Realmente, não precisamos de notícias falsas que causem pânico e revolta. Precisamos de posicionamentos transparentes e orientações claras sobre como devemos agir frente aos acontecimentos.

Em Nota à imprensa, em 28/11/15, o Ministério da Saúde confirmou a relação entre o vírus Zika e o surto de Microcefalia na região Nordeste. Compare as informações da Nota com a narrativa do boato. Há outras reportagens e notas, artigos e orientações sérios, com dados que podem ser comprovados, explicando o andamento dos fatos relacionados à epidemia de Zika Vírus e ao surto de Microcefalia no Brasil. O Ministério da Saúde tem publicado notas oficiais e bastante esclarecedoras sobre Microcefalia. Identificar tal relação é algo inédito para a comunidade científica no mundo e há muitos profissionais trabalhando nisso.

Infelizmente, é verdade que isso está acontecendo no Brasil, o que reforça que precisamos participar da Campanha para acabar com o Aedes aegypti todos os dias, em nossas casas, locais de trabalho e cidades. Segundo nossa editora, Jackeline Sarah, durante a gestação de sua filha, ela se preocupava com a Dengue e, agora, passados quase vinte e quatro anos, sua filha, grávida, precisa se preocupar com a infecção Zika vírus. Dengue, Zika vírus e Febre Chikungunya são doenças transmitidos pelo mesmo vetor: o mosquito Aedes aegypti. Seu depoimento ilustra, de modo prático, o atraso em que nos encontramos quanto a eliminar ameaças como essas.

Segundo a ÉPOCA,

A única maneira de combater o zika, até agora, é combater o mosquito. Há décadas, os governos e a sociedade falham nessa missão. Esse enfrentamento nunca foi levado a sério no Brasil. A ameaça de proporções inéditas que o país enfrenta hoje é consequência de três décadas de descaso. Combater o Aedes aegypti é responsabilidade de cada cidadão e também das prefeituras. Às secretarias estaduais de saúde e ao governo federal cabe definir as estratégias e coordenar os esforços. Mas, neste ano, os casos de dengue na Paraíba cresceram 266% em relação a 2014. O combate ao mosquito é fragmentado e insuficiente – um conto de verão, sempre esquecido já no outono.

Incentivamos que leiam a matéria completa.

Está em sua segunda edição eletrônica o Protocolo de Vigilância e Resposta à ocorrência de Miccrocefalia relacionada à Infecção pelo Vírus Zika, atualizado em 09/12/2015, publicado pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de prover a profissionais de saúde e áreas técnicas de vigilância em saúde informações gerais, orientações técnicas e diretrizes relacionadas às ações de vigilância das microcefalias em todo território nacional. Segundo o Protocolo,

As microcefalias, como as demais anomalias congênitas, são definidas como alterações de estrutura ou função do corpo que estão presentes ao nascimento e são de origem pré-natal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e literatura científica internacional, a microcefalia é uma anomalia em que o Perímetro Cefálico (PC) é menor que dois (2) ou mais desvios-padrão (DP) do que a referência para o sexo, a idade ou tempo de gestação. A medida do PC é um dado clínico fundamental no atendimento pediátrico, pois pode constituir-se na base do diagnóstico  de um grande número de doenças neurológicas e para isso os médicos e outros profissionais de saúde devem estar familiarizados com as doenças mais frequentes que produzem a microcefalia e devem conhecer os padrões de normalidade para o crescimento do crânio.
Está bem claro que microcefalia, ainda, não tem cura. Se há investigações consistentes apontando para a relação entre o surto de Microcefalia e a ocorrência de Zika Vírus nas mulheres grávidas, especialmente, no primeiro trimestre de gestação, é extremamente importante que sejam tomadas as providências adequadas, tanto pelo Governo, como em nossas casas, locais de trabalho e cidades. Houve um Debate sobre o assunto na Câmara Municipal de Ribeirão Preto-SP, com a presença do Secretário Municipal de Saúde, Dr. Stênio Miranda, e da especialista em ginecologia e obstetrícia, Dra. Flavia Maciel de Aguiar F. Mendonça. Assistam! Natália Marques comentou sobre o debate em sua página:
Já há dois casos confirmados de Zika Vírus no estado de São Paulo, em Sumaré e São José do Rio Preto. Precisamos nos envolver em limpar, semanalmente, nossas casas e eliminar os possíveis criadouros do mosquito Aedes Aegypti. Precisamos mudar hábitos, como jogar lixo nas ruas e terrenos, desde o simples papel de bala. (…) Precisamos nos conscientizar, conscientizar os que estão ao nosso redor e trabalhar para que não haja epidemia em nossa cidade. É hora de agirmos e de compartilharmos estas informações!

Assistam ao Debate, onde a especialista traz esclarecimentos técnicos de forma clara:

Além de a Microcefalia não ter cura, investigam-se outros efeitos neurológicos que o vírus Zika poderia causar nos fetos. Sem mencionar que mulheres grávidas, de forma geral, estão mais expostas a complicações quando contraem a infecção pelo vírus Zika, assim como todos os que estiverem com baixa imunidade. Por isso, nosso empenho deve ser em evitar que as grávidas sejam picadas pelo Aedes aegypti. Elas precisam, sim, usar repelentes autorizados pela ANVISA, três vezes por dia, e roupas mais compridas e de mangas longas. Segundo Nota Oficial, repelentes de uso tópico podem ser utilizados por gestantes desde que estejam devidamente registrados na ANVISA e que sejam seguidas as instruções de uso descritas no rótulo. O acompanhamento pré-natal é, sempre, essencial!

Podemos perceber que há um atraso de, pelo menos, três décadas nas providências oficiais contra a proliferação do mosquito Aedes aegypti, que causa Dengue, Febre Chikungunya e Zika Virus. Precisamos cobrar ações dos governos municipais e nos envolver nas iniciativas existentes para o combate ao mosquito. Podemos começar pela Campanha Nacional de Combate ao Aedes aegypti, lançada, recentemente, pelo Governo Federal, com o lema:

Se o Aedes aegypti pode matar, ele não pode nascer.

Segundo o Ministro da Saúde, Marcelo Castro,

O momento que estamos vivendo é grave. Essa é uma luta que sozinho (o governo) não será vitorioso. Nós não venceremos essa batalha se a população não se atentar para a gravidade do que estamos vivendo.

Confira o artigo sobre o lançamento da Campanha, no portal do Governo.

Quem assistiu o vídeo do Debate, ouviu a Dra. Flávia esclarecendo que a relação entre a infecção pelo vírus Zika e a Microcefalia está sendo estabelecida, investigações estão sendo feitas e a maioria dos dados informados pelo Governo representa estimativas, em forma de projeção epidemiológica. Ainda que sejam suspeitas, já se verificaram óbitos de bebês com Microcefalia. Que tal se, ao invés de multiplicarmos boatos revoltados e irresponsáveis, assumirmos o compromisso de promover, nas Redes Sociais e em nossas áreas de influência pessoal, a conscientização sobre a importância de impedirmos que o Aedes aegypti se prolifere em nossas casas, locais de trabalho e cidades, e orientarmos as mulheres que evitem iniciar uma gravidez no período em que há grande possibilidade de epidemia por causa das abundantes chuvas. E àquelas que se encontram no primeiro trimestre de gestação, que se protejam, usando repelentes registrados na ANVISA, roupas mais compridas e com mangas longas e eliminando possíveis criadouros de mosquito em suas casas e locais de trabalho.

Pode ser muito útil lermos o artigo do Dr. Pedro Pinheiro , publicado no MD.Saúde, que aborda o assunto de maneira clara e compreensível, informando o histórico do Zika vírus, sintomas e tratamento da infecção, relação com a Microcefalia e riscos na gravidez.

Com o passar do tempo, haverá novos e mais claros dados. Acompanhemos os artigos oficiais e confiáveis a respeito. De todo jeito, essa luta é nossa! Realmente, se o Aedes aegypti pode matar, ele não deve nascer!

Jackeline Sarah

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